O DISCURSO NA LITERATURA DE VIAGENS
Célia Marques Telles - UFBA
1. A Literatura de viagens
Faz–se necessário esclarecer que se tratará da literatura de viagens[1] da época dos descobrimentos[2], compreendendo desde a segunda metade do século XV aos inícios do século XVII. Os textos da chamada literatura de viagens são um instrumento de apreensão, compreensão e representação da realidade, complexa e em mudança do homem português de fins do quatrocentos e do quinhentos.
Em 1979, na linha do que vinha desenvolvendo desde 1960[3], Joaquim Barradas de Carvalho distingue – para o período que vai de meados do século XV aos primeiros anos do século XVI – quatro gêneros de textos “bem definidos”: crônicas, descrições de terras, diários de bordo e roteiros[4]. Assinala João Pinto Rocha que Joaquim Barradas de Carvalho, em 1975[5], com exclusão das “obras de feição mais técnica ou pré-científica”, aponta cinco tipos de textos: crônicas, descrições de terras, diários de bordo, roteiros e guias náuticos[6]. Note-se que mantém os quatro primeiros tipos (crônicas, descrições de terras, diários de bordo e roteiros) a que acrescenta os guias náuticos.
Essa perspectiva acha-se bastante ampliada se consultarmos o artigo de João Rocha Pinto, Literatura de viagens, no Dicionário de história dos descobrimentos portugueses (de 1994)[7]. Ao propor uma classificação mais vasta e minuciosa para a literatura de viagens, João Rocha Pinto faz uma sinopse tipológica distribuída em dois grandes itens: fontes narrativas e obras técnicas[8]. No primeiro grupo se acham as grandes obras literárias que têm por base as viagens, as crônicas, as descrições de naufrágios, as relações de viagens, as cartas, memórias e testemunhos[9], os diários de viagem e diários de navegação, as relações de viagens, os livros de armadas, e, finalmente, as descrições geográficas, socioeconômicas, etnográficas. No segundo, estão incluídos os livros de armação, os roteiros, os livros de marinharia, os guias náuticos[10].
Verifica-se que dos cinco tipos enumerados por Joaquim Barradas de Carvalho, as crônicas, as descrições de terras e os diários de bordo encontram–se no primeiro grupo, enquanto os roteiros e os guias náuticos, no segundo.
Vários são, portanto, os tipos de narrativas englobadas dentro da rubrica literatura de viagens, entretanto, na ótica da análise lingüística, elas se caracterizam pela estrutura do seu discurso. De modo geral são narrativas do mundo narrado ou do mundo comentado. Esses dois discursos, no entanto, nem se encaixam nem servem para caracterizar os dois grupos identificados por João Rocha Pinto.
Os textos da literatura de viagens descrevem a experiência, organizam o conhecimento, informam os acontecimentos, ensinam ou advertem sobre novas experiências. Excluídas as grandes obras literárias, acham–se escritos pela mão que escreve para um destinatário, a quem o texto é dirigido; podem aparecer narrando a experiência do eu (singular ou plural); finalmente, apenas o referente aparece de modo claro na narrativa.
Todos esses textos, entretanto, são marcados pela cosmovisão do ser existencial. O ser existe no tempo e no espaço e a sua existência caracteriza–se pela atuação hic et nunc do ser que existe. Desse modo, o ser que existe e que expressa a sua vivência existe em um mundo e em um tempo, mundo e tempo existenciais do ser que são o resultado da sua experiência como ser, a qual é transmitida com o auxílio de sistemas de comunicação, dos quais a linguagem é o mais aperfeiçoado. Essa linguagem humana estrutura–se em níveis maiores e menores e um dos níveis maiores é o discurso.
Esse discurso – que serve ao ser existencial para definir a sua actância hic et nunc – caracteriza–se em torno de dois eixos: a dêixis temporal e a dêixis pessoal.
Destaque especial será dado aos roteiros de navegação, aos guias náuticos, aos livros de marinharia e aos livros de armação, por um lado, e aos diários de navegação, aos relatos de naufrágio e às relações de viagens, por outro, assim como às crônicas e às cartas–relação.
Quanto à dêixis temporal, a narrativa é marcada em duas direções, o discurso do mundo narrado e o discurso do mundo comentado. No primeiro caso o texto estrutura–se em tempo passado, com marca aspectual improspectiva: é a narração do fato, da experiência pelo elocutor; no segundo, o texto é urdido no eixo temporal presente/futuro, com marca aspectual prospectiva: é a indicação do que deve ser feito, do caminho a ser percorrido, do que é ensinado, dito pelo elocutor para um alocutor (destinatário), sempre com base em uma experiência anterior. Nesse último caso, a experiência vem marcada pela presença do eu e o fato é narrado no passado com marca aspectual improspectiva.
Os diários de navegação, as crônicas, os relatos de naufrágio e as relações de viagens são caracterizadas por serem textos com discurso identificado como do mundo narrado. São escritos na primeira pessoa, em tempo passado, com aspecto improspectivo.
Os roteiros de navegação, os guias náuticos, os livros de marinharia e os livros de armação, por sua vez, são textos com discurso do mundo comentado. São escritos na segunda pessoa (mais tarde na terceira pessoa), para o destinatário, em tempo presente ou futuro, com aspecto prospectivo.
· Roteiros de navegação
O discurso dos roteiros de navegação é caracterizado pela narrativa da primeira pessoa – elocutivo[11] – (o piloto que escreve) para a segunda pessoa – alocutivo – (o mareante a que se destina o escrito). A relação entre eu e tu é de unicidade específica e as duas formas são inversíveis[12]. Por outro lado, faz–se necessário lembrar que eu e tu desempenham papéis ilocutórios[13].
A primeira pessoa denota sempre a interferência do piloto-autor daqueletexto, não estando presente nos roteiros mais antigos. Nem o Liurode rotear, nem os roteiros do Livro de marinharia de João de Lisboa trazem a indicação da experiência do piloto–autor.
Sabe q) a emtrada deste ryo da bãda de sueste e de Tofia a furna de Sancta Ana há tres legoas. E esta furna tem hu)a rastinga q) sahe a loeste. E da furna de Sancta Ana aos vij moutas há quatro legoas. E da põte de Tofia a amgra do Cabo há xx legoas. E tem hu)a baixa da banda de nordeste. (LR, 214, L.22-25)
It. Sabe que de moçambique ao Rio de fernã veloso avera – 18 – ou – 20 – legoas e amtes que chegues a este Rio – 3 – ou – 4 – legoas se faz huã e)ceada pequena e) que pousam as naus da terra por amor das corremtes quãdo lhes acalma o vemto e pousam muito e) terra por que as duas asteas de terra há – 50 – braças ... (JL, 175, L. 22 – 176, L. 4)
Por outro lado, a estruturação do discurso mais antiga também não documenta a presença doelocutor.
Sabe q) naujo q) for pera bayxo e esteuer em vista da serra v ou vj legoas va por este camjnho q) este liuro falla xv legoas nõ ajas medo e se fizer calma pousaras por amor do mõtãte te nõ lãçar sobre os bayxos. E as agoas jeytã todas ao sudueste. (LR, 219, 12-15)
It. Sabe que quãdo fores tamto avamte como estas mãchas que te demore) (sic) a força delas ao nornoreste e fores – 2 – legoas da terra veras – 4 – mõtinhos ao nordeste e a quarta do norte afastados hu)s dos outros / E hu)s estã hu)a legoa dos outtros / e os outros dous mais jumtos. (JL, 171, 29-33)
Ne1sta vo1lta do Brasil, <h>as de trabalhar de te pores em altura de 8 graos e dous terços, q(ue) esta o Cabo de Santo Agustinho. Se for caso q(ue) te aqueçer q(ue) fores ver a te1rra ne1sta altura,. Não te faças noutra vo1lta. Surge aqui cõ a não, q(ue) os ventos te alargarão a fazeres teu caminho. (CRP, 95, 26-30)
Se for do mes de Maco em diante demandar esta costa, e terra de Paranabuco hiras por altura de 9. Graos e dah’iras pera o Sul. Ainda que me ache metido em terra me não faça medo por fundo de desaseis e desasete braças por que tudo he limpo e não há mais que os arreçifes que rebentão em terra,...(RCB, ...1-9)
Si salieres del puerto de Santo Domingo correras cinco o seis leguas al sudueste y lu(e)go mandaras governar al oeste hasta tener la punta de Niçao al norte y luego correras la vuelta de loessudueste. (DSD, 16, 1-5)
Em todo este caminho se deve trabalhar o ir quanto puderem de llo’ porque está nisto o fazer bem a viagem porque indo ver a terra do Brasil por descuido ou máo vento pela maior parte se arriba a Portugal. (VR, 19, 31 – 18, 2)
Síl advenoit que vous vous trouvissiez environ le dixiesme de May peu plus ou moins en la contree des dites Isles de Tristan da Cunha, vous ne passerez point au dessus de trente cinq degrez, à l’occasion des vents de Ouest qui en ce temps la y sont fort vehemens et impetueux, notamment au temps de la nouvelle Lune: ce qui vous pourroit bien faire rebrousser chemin, comme il advint au Navire de Bom Iesus, qui fut englonti des vagues par la force & furie du vent, comme moy aussi ay veu advenir le mesme a Diego Alfonso, estant sur le Navire de S. Claire. (JHL/DA, 5, 3-10)
Les signes & indices qu’ on a quatorze lieues devant que venir à Moçambique, sont tels, asçavoir un grand & eminent pays, & a une lieue & demie de la coste git un banc, sur lequel on passe la hauteur de quinze brasses. Ce pays se nomme Moçambique, lequel du costé de la mer est bordé d’arbres semblables à des Pins. Delà à Moçambique il y a douze lieies, & à Mocango cinq lieues tout le long duquel espace se voyent tels arbres, & a une lieue de terre la mer y escume & s’y romp par fois. (JHL/VR, 11, 54 – 12, 6).
Si vous desirez faire voile de la baye de Todos os Santos tenez vous à la navigation ci dessus declaree, prenant garde aux marees de l’annee, asçavoir depuis Mars & Octobre, comme dit a esté. Ceste baye git la hauteur de treize degrez: & depuis Octobre vous la viendrez cercher à douze degrez & douze & un quart: & venant à la veue de terre, dont le rivage est de sable blanc, & monstre cõme une blancherie de toiles, vous singlerez le long de la coste au Sud, jusques a ce que vous ayez atteint la fin dudit rivage, là ou vous verrez une petite isle au Nord nomméee Tapoan laquelle git en l’emboucheure de la baye. Depuis là on tient le cours le long de la coste Ouest tirant sur le SudOuest. (JHL, CB, 134, 9-18)
Somente quando a experiência do piloto é tomada por este como advertência, o uso da primeira pessoa é evidenciado no discurso. O eu, pode vir ainda como relato da própria experiência ¾ ou da de outrem ¾ e, nesse caso, o discurso traz tempo narradores, em especial, o pretérito perfeito composto do indicativo / pretérito perfecto / passé composé. Essa construção mantém todo o valor aspectual de inconcluso, documentando a referida experiência do piloto–autor.
E se fores cõ o punho n’amura, p(er) quanto as aguas se deitam ao nornorde1ste, tem aviso neste caminho, quando tomares muita altura: ente)de q(ue) te lançam as aguas pe1ra onde te tenho dito. (CRP, 112, L. 232 – 233, L. 236)
Da altura de até dez ou onze gráos como atraz disse é bom governar para leste até as ilhas do Cabo Verde tem a agulha de differença de nordestear sete gráos de stear [sic]. (VR, 16, L. 9 – 12)
Se for do mes de Maco em diante demandar esta costa, e terra de Paranabuco hiras por altura de 9. Graos e dah’iras pera o Sul. Ainda que me ache metido em terra me não faça medo por fundo de desaseis e desasete braças por que tudo he limpo e não há mais que os arreçifes que rebentão em terra,...(RCB, ...1-9)
Síl advenoit que vous vous trouvissiez environ le dixiesme de May peu plus ou moins en la contree des dites Isles de Tristan da Cunha, vous ne passerez point au dessus de trente cinq degrez, à l’occasion des vents de Ouest qui en ce temps la y sont fort vehemens et impetueux, notamment au temps de la nouvelle Lune: ce qui vous pourroit bien faire rebrousser chemin, comme il advint au Navire de Bom Iesus, qui fut englonti des vagues par la force & furie du vent, comme moy aussi ay veu advenir le mesme a Diego Alfonso, estant sur le Navire de S. Claire. (JHL/DA, 5, 3-10)
Vindo eu demandar esta ilha depois de ter vista a de S. Lourenço em 25o mais ou menos um quinto anoiteci 8 leguas della conforme ao sol que tomei que foi assaz de bem tomado por ser o mar chão. (...)
Pelo que advirta isto quem por aqui passar, e fazendo-se com ella tome as véllas em anoitecendo, e vire logo na volta do sudueste em a qual gastará toda a noite, sem voltar, e como amanhecer torne a virar dando toda a vélla, se lhe anoitecer como digo perto d’ella. (GM, 49, 29 – 50, 20-26)
A medida em que a dêixis pessoal começa a transferir–se, no discurso, para a terceira pessoa –, com ausência evidente do destinatário (na segunda ou na terceira pessoas) – vai se tornando mais raro o uso da segunda pessoa (em textos do final do século XVI, onde a primeira pessoa só aparece para marcar a própria experiência).
E se partirem de Lisboa tarde temendo-se chegar á costa de Guiné em fim de maio governe-se de altura de 20o ao sul até altura de 12o , e fazendo-se nesta altura de costa 70 leguas se governe au sudueste até darem os geraes porque no tarde os acharão em 5o e entrando nesta altura, é bom estar mais achegados á costa de Guiné para terem mais balravento para poderem dobrar o cabo de Santo Agostinho e costa do Brazil. (AM, 98, 27-34)
Um exemplo muito interessante é o do Roteiro da navegação e carreira da Índia de Gaspar Ferreira Reimão:
Para navegardes bem não hão-de-passar de 33 graus até Norte e Sul com as Ilhas de Tristão da Cunha; não é bom pôr em 35 e 36 graus antes delas, porque há muitas vezes por aqui grandes trormentas de noroestes, que obrigam a correr em pôpa com elas, e não navegam bem se forem por muita altura. Neste lugar diz Diogo Afonso, encomendando isto mesmo, que indo êle por esta altura, acima de 36 e 37 graus na nau Santa Clara, em companhia da nau Bom Jesus com um temporal, à sua vista, a comeu o mar, pelo que assegura muito, não passardes de 32 até 33 graus até Norte e Sul, com as Ilhas de Tristão da Cunha, porque navegueis melhor, e mais seguro de tormentas, e porque os ventos muitas vezes cursam pelo Norte, e nordeste, ficam-nos servindo melhor. Ponhamos estas lembranças, diz Vicente Rodrigues, porque o tenho bem experimentado, e eu o tenho assim achado por vezes. Indo delas para o Cabo da Boa Esperança, 100 léguas, se acharam umas manchas grandes de trombas e sargaço, a que os antigos chamam camas de bertão; tanto que as virdes entendei que sois avante delas mais de 100 léguas, e se vos fizerdes com o ponto atrás, vos podeis pôr avante delas; isto que digo é para o Cabo de Boa Esperança. (GFR, 14, 24 – 15, 11)
· Descrições de terras
Como se trata de narração do que se chamou conheçenças, o verbo se acha no presente e na terceira pessoa (a dêixis do referido).
Esta tierra pareçera llana de fuera della y asi iras a ver la costa de leste oeste, qu’es donde Guaniguanico. Hasta el Cabo de Corrientes esta costa es bien conoçida, porque es pareja com unas matas en çima, a manera de las de España labradas. Y la costa de la mar es toda lamas de arena. Bien te puedes llegar en tierra, porque es tierra sana. Y si vieres Cabo de Corrientes, te haras estas s(e)ñas. (DSD, 19, 69-75)
A segunda pessoa – relativa ao alocutor – faz advertências e indica o caminho a ser seguido: iras a ver, vieres, haras / puedes llegar.
Sabe q(ue) por e1sta te1rra, ao longo do mar, toda e1 feita em montinhos piquenos e m(ui)tas mançhas d’area feita em farpas muito meudas q(ue) pareçem caminhos, e1 tudo praya d’area. E jaz a costa norde1ste e sudue1ste e toma da qoarta de le1ste. E aqui se çhama o Cabo das Corre)tes. (CRP, 147, 615-619)
Escrever o sito do orbe com a grandeza de toda a terra e do mar, as ilhas, as cidades, as fortalezas, animais, com tôdalas outras cousas que nele são, tanto é longa como defícil matéria, e de elegância não capaz, e a ordem dela assaz entrincada; a qual, pola cantidade de tamanho corpo, impossível é ser particularmente sabida, mas pola admiração de tão excilente cousa muito digna de ser escrita e praticada; (ESO, 12, 20-26)
· Guias náuticos
Como discurso do mundo comentado trazem a dêixis marcada na pessoa do alocutário, no eixo temporal presente/futuro, com marca aspectual prospectiva.
Si quisieres saber la ladeza o latitud de mars (con)uiene q(ue) ygu(a)les primero el çe)tro 7 el argume)to los quales ygualaras desta manera donde primero as de saber q(ue) el çe)tro 7 argumento cunple) su reuoluçion en 32 años 7 para tantos años los hallaras ygualado su raiz est año de 1473 7 sabe q(ue) la latitud de mars se toma por estas tablas entrando com el çentro 7 argumento asi como heziste en saturno 7 ternas la v(er)dadera latitud de mars. (APZ, 95, 3-9)
Por outro lado, o descrição pode ser feita com o uso da terceira pessoa, sempre no eixo temporal presente/futuro.
Os que tem ho zenit no polo arctico tem a equinocial por horizonte: e poys a equinocial corta ao zodiaco em duas partes iguaes: assi tambe) ho seu horizonte deyxara meyo zodiaco encima e meyo embayxo: e por isso quando ho sol andar pela metade que he des do principio de Aries ate o fim de Uirgo: sera tuido isto hu) dia continuo sem auer noyte: e quando andar pella outra metade que he des do principio de libra ate o fim de Pisces: sera hu)a noyte continua sem auer dia; e sera portanto ho primeiro meo anno hum soo dia arteficial e ho outro meo anno hu)a soo noyte: e sera todo o anno hu) soo dia natural: (PN,TE, 47, 16 – 48, 3)
D. – Os que morão dentro do circulo arctico, derredor do polo do mundo, que condições e propriedades tem?
M. – Tem dia continuo, alguns de hum mês e outros dous, outros de tres e de mais, segundo a cantidade do zodiaco que lhes fica sobre o orizonte; por que, se sobre o orizonte fiqua quantidade de hum signo, tem dia continuo de um mes; se lhes fique cantidade de dous signos, tem dia continuo de dois meses; e se lhes fica cantidade de mais signos, tem dia continuo de mais mezes. (JC,TE, 93, 6-13)
· Livros de marinharia
O discurso sendo aquele do mundo comentado dirigindo-se as recomendações ao alocutário, a narrativa vem marcada pela dêixis pessoal da segunda pessoa expressa no eixo temporal presente/futuro, com aspecto prospectivo.
Hás-de’saber que aqui são postas quatro tabuadas, por respeito às quais tabuadas servem desta maneira, convém a saber: as primeiras tabuadas servem no ano após bissexto; e as segundas tabuadas servem a[o]s dois anos após bissexto; e a terceira tabuada serve aos três anos depois [do] bissexto; e a quarta tabuada serve no ano bissexto. E acabado o ano bissexto, tornarás a começar de novo e [a] entrar na primeira tabuada, levando um ano após bissexto, assim como em cima é declarado. E acabado o bissexto torna outra vez à primeira tabuada; em fim de cada bissexto, torna à primeira tabuada. E nos principios das tabuadas acharás por escrito o ano em que cada uma serve; e assim nos fins de cada um ano que se acaba. (AP, 198, 1-10)
· Livros de armação
O enunciado das instruções – o referido – acha-se no eixo-temporal presente/ futuro com marca aspectual prospectiva.
Medidas para fazer uma caravela de cento e cinquenta tonéis até cento e oitenta e os paus que leva de sôvaro e pinho.
Terá esta caravela de comprimento por quilha de esquadria a esquadria doze rumos, e terá de alto um palmo redondo, e de largo menos de dois dedos, leva esta quilha quatro paus. (LN, 74, 2-8)
Regra geral para navios de alto bordo de setenta até trezentas toneladas:
Todo o navio de trezentas toneladas para baixo se contará por palmos redondos convém a saber, boca e altura de cubertas e mariagem. Mas, o comprimento da quilha e lançamento de roda por palmos de goa porque subindo, de trezentas toneladas, serão palmos de goa.
E todos os navios de cento e cinquenta toneladas até duzentas, de duas cubertas, terão o lançamento de roda de proa entre o terço e o quarto de comprimento da quilha. (GSC, 76, 2-13)
· Diários de navegação
O texto dos diários de navegação – como discurso do mundo narrado – traz a forma verbal no eixo temporal do passado, com aspecto improspectivo, podendo a dêixis pessoal ser marcada pel a presença do elocutor ou do referido.
Jueves 11 de Octubre
Navegó al Oessudueste, tuvieron mucha mar mas que en todo el viagen habian tenido. Vieron pardelas y un junco verde á la nao. Vieron los de la carabela Pinta una caña y un palo, y tomaron outro palillo labrado á lo que parecía con hierro, y un pedazo de caña y otra yerba que nace en tierra, y una tablilla. Los de la carabela Niña tambien vieron otras señales de tierra y un palillo cargado descaramojos. Com estas señales respiraron y alegráronse todos. Anduvieron en este dia hasta puesto el sol veinte y siete leguas. (CC/DN, 46, 17-27)
Marti a XX de settembre, nel medesimo anno, ne partissemo da questo loco, chiamato San Lucar, pigliando la via di garbin, e a 26 del detto mese arrivassemo a una isola de la Gran Canaria, che se dice Tenerife in 28 gradi di latitudine, per pigliar carne, acqua e legna. (RAP, 79, 1-6)
A 31 de março de 1541, amanheçemdo nos fizemos a vela do porto de salaca. O vento era sueste galerno, mas dipois de sol saido rodeou ao sudueste, e vemtou desta parte obra de 3 oras, e logo saltou ao sul, e dahi passou ate asemtar em leste, domde vemtou todo o resto que ficou do dia, sempre muito rijo; com todos estes vemtos fizemos o caminho ao lomgo da costa. Huma ora amte de se por o sol amarramonos a huma restimga que esta huma legoa da terra; podiamos amdar este dia 17 legoas, e estarmos a vamte de cuaquem 43. (RMR, 280, 6-13)
· Relatos de naufrágio
O discurso, nesse caso, é marcado pela presença da dêixis pessoal do referido, vindo a forma verbal em tempo passado com aspecto improspectivo. A experiência do eu elocutor pode estar presente.
E desta maneira, indo a nau Conceição com vento à popa e mar bonança, com as velas todas dadas, ao quarto da modorna, dois relogios rendidos, deu uma muito grande pancada, que pareceu de todo se espedaçava.
Tanto que a nau deu esta pancada, logo a gente que dormia em catres, caíram alguns deles com a grande pancada que a nau deu, e nos pareceu que virava de todo; e muitas pessoas não se puderam sustentar em pé, que caíam para uma parte e para a outra, e pegavam-se às latas. E tanto que vimos que a nau daquela maneira tocava, todos, grandes e pequenos, chamaram por Nossa Senhora, com uma grita que não nos ouvíamos uns aos outros, chorando e pedindo misericórdia a Nosso Senhjor de nossos pecados, com vozes tão altas que parecia que se fundia o Céu: e todos tínhamos aquela pela derradeira hora de nossa vida. NNC, 321, 5-20)
Tal foi a perdição desta nau Santo Alberto, tais os sucessos do seu naufrágio, causados não das tormentas do cabo da Boa Esperança (pois sem chegar a ele com próspero tempo se perdeu), mas da querena e sobrecarga como a esta nau assim a outras muitas no fundo do mar hão sepultado. Ambas pôs em prática a cobiça dos contratadores e navegantes. (NNSA, 37920-24)
· Descrições geográficas
O eu elocutor pode narrar a sua experiência, mas a ação vem expressa no eixo temporal presente/futuro e aspecto prospectivo, ressaltando-se a dêixis pessoal relativa ao referido.
Et poursuiuant mon chemin, pour visiter ce qui me restoit de singulier en ce païs continent, & Isles lointaines, ie ne veux le laisser sans en faire quelque recit. Le Cap Frie, qui est quelques quarante lieües deça la riuiere où nous habitions, & où aussi quelques annees au parauant s’estoie)t habituez les Portugais, est le lieu où ils fure)t si mal menez des Toupinambaux, Sauuages du païs, que pas vn seul n’y desoient à rien, pour desrober & se saisir de quelque peu de marchãdise, qu’ils auoie)t en leur petite forteresse, sans respecter nõ plus les maistres que seruiteurs, femmes & enfans: Comme aussi le mesme leur aduiint en plusieurs autres lieux dudit païs. (CU, 913, 11-20)
Como aja nesta terra muita madeira e muito barata, e muito ferro muito bõ e barato, há inmensidade de navios e embarcações, porque há por toda a terra infinidade de pinhaes e de outros arvoredos pelo que he facil a todo home) inda que seja pouco possante, poder fazer navio e ter embarcaçã e isto causa ho muito proveito e ganho que nellos há necessidade que há terra dellos tem: porque nam soome)te tem muita multidam de ilhas ao lõgo da costa, mas muito grãde costa pela qual se navega: e ale) disto toda ha China por dentro se navega e toda se corre por rios que há talham toda e regam, que sam muitos e muito grãdes. (TCC, 186, 3-11)
Em ho ryo de Çanaga começa primeyrame)te Ethiopia .s. negros cõ cabello crespo. E a regiõ e regno se chama Gyloffa, terra baixa ate o Cabo Verde.
Nesta terra há mujtos Senhores os quaes por e)ueja ãtre sy faze) huu) rey pore) q) seja da nobre geraçã. E este rey dura quãto apraz aos ditos Senhores, pore) muytas vezes elrey se fez tã poderoso q) se deffende delles esta cõ tudo se)pre cõ temor. (LR, 235, 12-17)
· Crônicas
O enunciado do mundo narrado traz a forma verbal no twempo passado, com aspecto improspectivo, achando-se a dêixis pessoal relativa ao referido; a experiência do elocutor pode estar presente.
N’ayans meilleure commodité de seiourner au cap de Frie, pous les raisons susdites, il fut question de quitter la place, faisans voile autre part, au grand regret des gens du païs, lesquels esperoye)t de nous plus long seiour et alliance, suyuant la promesse que sur ce à nostre arriuée leur en auions faite: pourtant nauigasmes l’espace de quatre iours, iusque au dixiesme, que trouuasmes ceste grande riuiere nommée Ganabara de ceux du païs, pour la similitude qu’elle a au lac, ou Ianaire, par ceux qui ont fait la premiere decouuerte de ce païs, distante de là où nous estions partis, de trente lieües ou enuiron. (TS,126, 5-17)
Comme ainsi soit que ce bras de mer & rivière de Ganabara, ainsi appelée par les sauvages, et par les Portugallois Genevre (parce que comme on dit, ils la descouvrirent le premier iour de Janvier, qu’ils nomment insi) laquelle demeure par les vingt et trois degrez au-dela de l’Esquinoctial, et droit sous le Tropique de Capricorne, ait esté l’un des ports de mer en la terre du Bresil, plus frequenté de nostre temps par les François: j’ay estimé n’estre hors de propos, d’en faire ici une particuliere et sommaire description. (JDL, 197, 6-15)
O modo que os Chinas tem de edificar suas cidades he sempre nos mais fortes sitios junto dos rios impetuosos, principalmente onde fazem maiores voltas, para que lhes fiquem servindo de cercas: e se as cidades são de mea legoa fazemlhe os muros de outra mea legoa mais para que socedendo guerras possão naquellas concavidades recolher gente de munição. Todas as cidades são muradas de pedra e cal, algu)as de ladrilho mui forte especialmente as cidades grandes tem mui grandissimos edificios e pontes que são de mea legoa todas de pedra feitas com muito primor; mas são as lages e pedras tam grandes que parece cousa impossivel por algu) artificio poderem nas os home)s alli trazer e asentar. (EA, 67, 1-10)
· Cartas–relação
A narrativa é construída em tempo passado e, conseqüentemente, em aspecto improspectivo[14]. Por outro lado, o discurso aparece, também, em tempo presente e aspecto prospectivo, ao ressaltar o hic et nunc do narrador. O discurso das cartas-relação é caracterizado pela narrativa da primeira pessoa o elocutor[15] para o alocutor[16] - (dando conta do achamento da terra)[17].
Nom leixarey tam bem de dar disso minha comta avossa alteza asy como eu milhor poder aimda que perao contar e falar o saiba pior que todos fazer. Pero tome vossa alteza minha jnoramçia por boa vomtade. A qual bem çerto crea q) por afremosentar nem afear aja aquy de poer ma is caaquilo que vy e me pareceo. da marinhajem e simgraduras do caminho nõ darey aquy cõtas a vossa alteza porqueo nom saberey fazer e os pilotos deuem teer esse cuidado e por tamto Snõr de que ey de falar começo e diguo. (PVC, 1 ro. 5-15)
que a partida de belem como vosa alteza sabe foy segª feira ix de março. E sabado xiij do dito mês amtre as biij e ix oras nos achamos amtre as canareas mais perto da gram canarea e aly amdamos todo aquele dia em calma avista delas obra de tres ou quatro legoas. (PVC, 1ro, 17-21)
Porque sé que habreis placer de la gran victoria que Nuestro Señor me há dado em mi viagem, uos escribo esta, por la cual sabreis como en treinta y tres dias pasé á las Indias, com la armada que los Ilustrisimos Rey y Reina Nuestros Señores me dieron; donde yo fallé muy muchas islas pobladas com gente sin número, y dellas todas he tamado [sic] posesion por Sus Altezas, com pregon y bandera costa de la mar, saluo pequeñas poblaciones, com la gente de las cuales non podia haber fabla, porque luego fuian todos,...(CC, 2,1 – 3, 4)
...deliberai lasciarmi della mercantia & oporre el mio fine in cosa piu laudabile & ferma: che fu che mi disposi dandare a vedere parte del mondo & le sue marauiglie: & aquesto mi siofferse tempo & luogo molto oportuno che fu chel Re don Fernando di Castiglia haue)do a mandare quattro naui a discoprire nuoue terre uerso loccidente fui electo per sua alteza che io fussi in esta flocta per adiutare a discoprire: et partimo del porto di Calis adi. 10. Di maggio 1497. Et pigliamo nostro cãmino per el gran golfo del mare oceano: nel qual viiaggio ste)mo 18. Mesi: & discoprimo molta terra ferma & infinite isole & gran parte di esse habitate:...(AV, 3, 23-33)
Na era de 1520 a xxiij. dias de Janeiro partimos pera o Rei da China; em Maio estavamos com o Rei em Nanquim dali mandou que nos fossemos a cidade de Piquim diante pera nos la dar o despacho, a ij de Agosto se escreveo a Cantão do que era passado com el rei até então chegarão as cartas a Jorge Botelho Diogo Calvo que estavão em a Ilha onde se faz mercadoria por tanto não se torna a escrever porque o tempo requere brevidade e pouca leitura. (CVVC, 7, 4-10)
Polla qual carta me diz Vossa Alteza ter me já antes desta espirito outra por o galleam que foi para Baia, a quall carta ate o presente não vi nem sei mais della do que por esta Vossa Alteza me diz porque como ho galleam foi Ter a Baia daria as cartas a Tome de Sousa e não veio mais de laa para aqui navio allgum pollo quall daquellas cartas não ei dar razam a Vossa Alteza pois as não vi. (DC, 85, 5-11)
Após essas considerações sobre o discurso dos textos da literatura de viagens, nota-se que as classificações taxonômicas não dão conta dos dois diferentes enunciados: o discurso do mundo narrado e aquele do mundo comentado. O quadro abaixo mostra as classificações de Joaquim Barradas de Carvalho e de João Rocha Pinto e, a exclusão de dois tipos – as grandes obras literárias que têm por base as viagens e os livros de armadas – a sua caracterização segundo a estrutura dos enunciados discursivos.
Entre as fontes narrativas, apenas as descrições geográficas são marcadas pelo discurso do mundo comentado, enquanto as demais, referem-se ao mundo narrado. As obras técnicas são enunciados do mundo comentado.
Joaquim Barradas de Carvalho |
João Rocha Pinto |
Tipo de discurso |
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Mundo narrado |
Mundo comentado |
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a) fontes narrativas |
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· Grandes obras literárias que têm por base as viagens |
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· Crônicas |
· Crônicas |
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· Descrições de naufrágios |
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· Cartas, memórias, testemunhos |
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· Diários de bordo |
· Diários de viagem e diários de navegação |
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· Relações de viagens |
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· Livros de armadas |
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· Descrições de terras |
· Descrições geográficas, etnográficas |
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b) obras técnicas |
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· Livros de armação |
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· Roteiros |
· Roteiros |
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· Livros de marinharia |
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· Guias náuticos |
· Guias náuticos |
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AM |
VIAGEM DE LISBOA PARA O CABO DA BOA ESPERANÇA EM MARÇO OU SETEMBRO. In: ROTEIRO DA INDIA DE ALEIXO DA MOTA. In: PEREIRA, G. (edit.). Roteiros portuguezes da viagem de Lisboa á India nos seculos XVI e XVII. Lisboa: Imprensa Nacional, 1898. p. 95-107. |
AP |
ALBUQUERQUE, Luís Mendonça de (edit.). O Livro de Marinharia de André Pires. Lisboa: Junta de Investigações do Ultramar, 1963. Introd. de Armando Cortesão. |
APZ |
ZACUTO, Abraão. Almanach Perpetuum. Lisboa: Imprensa Nacional/ Casa da Moeda, 1986. Reprod. em fac-símile do exemplar da Biblioteca Nacional com introd. de Luís de Albuquerque. |
AV |
LETTERA DI AMERIGO VESPUCCI DELLE ISOLE NUOVAMENTE TROVATE IN QUATTRO SUOI VIAGGI [1504]. Princeton: Princeton Univ. Press, 1916. Reproduced in facsimile from the McCormick-Hoe copy in the Princeton University Library. |
CC |
CARTA DE CRISTÓBAL COLÓN; enviada de Lisboa a Barcelona en marzo de 1493. Nueva ed. crítica conteniendo las variantes de los diferentes textos, juicio sobre estos, reflexiones tendentes a mostrar a quien la carta fue escrita, y varias otras noticias por el Seudónimo de Valencia. Paris: Tross, 1870. |
CC/DN |
COLÓN, Cristóbal de. Diario de navegación. Habana: Comisión Nacional Cubana de la UNESCO, 1961. Prólogo de Lorenzo García Veja. |
CLRC |
ENFORMAÇÃO DE ALGUAS COUSAS ACERCA DOS COSTUMES E LEIS DO REINO DA CHINA, QUE HUM HOMEM HONRADO, QUE LA ESTEVE CATIVO SEIS ANOS CONTOU NO COLEGIO DE MALACA AO Pe. Mestre Belchior [1554]. In: ENFORMAÇÃO DAS COUSAS DA CHINA; textos do século XVI. Lisboa: Imprensa Nacional/ Casa da Moeda, 1989. p. 63-76. Introd. e leit. de Raffaella d’Intino. |
CRP |
TELLES, Célia Marques (edit.). Coleção de roteiros portugueses da “Carreira da Índia” no século XVI. São Paulo: USP, 1988. V.1, f. 90-204. |
CU |
THEVET, André. La Cosmographie vniverselle. Paruis: Pierre l’Huillier, 1575. Illvstree de diverses figvres des choses plus remarqvables vevës par l’auteur, & incogneuës de noz anciens & modernes. |
CVVC |
TRELADO DE HU)A CARTA QUE DA CHINA VEO A QUAL CARTA ESCREVEO CHRISTOVÃO VIEIRA VASCO CALVO QUE LAA ESTÃO CAPTIVOS OS QUAES FORÃO DA COMPANHIA DOS EMBAIXADORES QUE LEVOU FERNÃO PEREZ ANNO DE 1520. In: ENFORMAÇÃO DAS COUSAS DA CHINA; textos do século XVI. Lisboa: Imprensa Nacional/ Casa da Moeda, 1989. p. 7-38. Introd. e leit. de Raffaella d’Intino. |
DC |
MELLO, José Antônio Gonsalves de, ALBUQUERQUE, Cleonir Xavier de (edit.). Cartas de Duarte Coelho a El Rei. 2. ed. Recife: Fund. Joaquim Nabuco/ Massangana, 1997. Reprod. fac-similar, leitura paleográfica e versão moderna anotada. Pref. De Laonardo Dantas Silva. |
DN/CC |
RELACIÓN DEL PRIMER VIAJE DE D. CRISTÓBAL COLON. 2. Ed. Buenos Aires: Emecé, 1945. Noticia de L. M. B. |
DSD |
TELLES, Célia Marques (edit.). Derrota de Santo Domingo para la Nueva España. Estudos Lingüísticos e Literários, Salvador, v. 13, p. 13-24, jul. 1992. |
ESO |
CARVALHO, Joaquim Barradas de (edit.). Esmeraldo de situ orbis de Duarte Pacheco Pereira; édition critique et commentée. Lisboa: Calouste Gulbenkian/Serviço de Educação. 1991. |
GFR |
REIMÃO, Gaspar Ferreira. Roteiro da navegação e carreira da Índia, com seus caminhos, & derrotas, sinais, & aguageis & diferenças da agulha; tirado do que escreveu Vicente Rodrigues & Diogo Afonso, pilotos antigos. Agora novamente acrescentado a viagem de Goa por dentro de são Lourenço, & Moçambique, & outras muitas cousas, & advertências. 2. ed. Lisboa: Agência Geral das Colônias, 1940. Pref. de A. Fontoura da Costa. |
GM |
ROTEIRO E ADVERTENCIAS DA NAVEGAÇÃO DA CARREIRA DA INDIA FEITO POR GASPAR MANUEL DE VILLA DO CONDE, POR ELLE MESMO EMENDADO. In: ROTEIRO DA CARREIRA DA INDIA. In: ROTEIROS DA INDIA DE VICENTE RODRIGUES E GASPAR MANUEL. In: PEREIRA, G. (edit.) . Roteiros portuguezes da viagem de Lisboa á India mnos seculos XVI e XVII. Lisboa: Imprensa Nacional, 1898. p. 40-60.
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GSC |
SOUSA, Gonçalo de. Curiosidades (1572-1632). Coimbra: Bibl. Da Universidade, ms. nº 3074, fº 5. Apud BARRETO, Luís Filipe. Portugal: pioneiro do diálogo Norte-Sul. Lisboa: Imprensa Nacional/ Casa da Moeda, 1988. p. 76. |
JC/TE |
CASTRO, João de. Tratado da esfera por perguntas e respostas. In: CORTESÃO, Armando, ALBUQUERQUE, Luís de (edit.). Obras completas de D. João de Castro. Coimbra: Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1968. v.1, p. 13-114. Edição crítica por Armando Cortesão e Luís de Albuquerque. |
JDL |
LÉRY, Jean de. Histoire d’un voyage faict en la terre du Bresil (1578). 2. Éd., 1580. Paris: Le Livre de Poche, 1994. Texte établi, pres. et annot. par Frank Lestringant. Entretien avec Claude Lévi-Strauss. |
JHL/VR |
LINSCHOT, Iean Hvgves de. Navigation de Lisbonne aux Indes appointee par Vincente Rodrigues de Lagos Portugais Pilote du Roy. In: id. Le Grand routier de mer; contenant une instruction des routes & cours qu’il convient tenir en la Navigation des Indes Orientales, & au voyage de la coste du Bresil, des Antilles, & du Cap de Lopo Gonsalves. Avec descriptions des Costes, Havres, Isles, Vents, & courants d’eaux, & autres particularitez d; icelle Navigation. Le tout fidelement recueilli des memoires & observations des Pilotes Espagnols & Portugais. Nouv. trad. de flameng en françois. Amsterdam: Iean Evertsz Cloppenburch, 1619. cap. 5, p. 8-12. |
JHL/DA |
LINSCHOT, Iean Hvgves de. Cours du voyage des Indes, appointé par Diego Alfonso, Portugais Pilote du Roy. In: id. Le Grand routier de mer; contenant une instruction des routes & cours qu’il convient tenir en la Navigation des Indes Orientales, & au voyage de la coste du Bresil, des Antilles, & du Cap de Lopo Gonsalves. Avec descriptions des Costes, Havres, Isles, Vents, & courants d’eaux, & autres particularitez d; icelle Navigation. Le tout fidelement recueilli des memoires & observations des Pilotes Espagnols & Portugais. Nouv. Trad. de flameng en françois. Amsterdam: Iean Evertsz Cloppenburch, 1619. cap. 2, p. 3-6. |
JHL/CB |
LINSCHOT, Iean Hvgves de. Navigation & cours du havre ou baye de Todos os Santos qui est en la Coste du Bresil. In: id. Le Grand routier de mer; contenant une instruction des routes & cours qu’il convient tenir en la Navigation des Indes Orientales, & au voyage de la coste du Bresil, des Antilles, & du Cap de Lopo Gonsalves. Avec descriptions des Costes, Havres, Isles, Vents, & courants d’eaux, & autres particularitez d; icelle Navigation. Le tout fidelement recueilli des memoires & observations des Pilotes Espagnols & Portugais. Nouv. trad. de flameng en françois. Amsterdam: Iean Evertsz Cloppenburch, 1619. cap. 57, p. 134. |
JL |
LISBOA, João de. Livro de marinharia. Tratado da agulha de marear. Roteiros, sondas e outros conhecimentos relativos á navegação; codice do seculo XVI, que pertenceu á livraria do falecido Marquez de Castello Melhor em cujo catalogo de manuscriptos tinha o numero 254, adquirido no respectivo leilão pelo Excel.mo Sr. Duque de Palmella. Lisboa: Imprensa de Libanio da Silva, 1903. Copiado e coordenado por Jacinto Ignacio de Brito Rebello. |
LN |
ANÓNIMO. Livro náutico ou meio prático da construção de navios e galés antigas. In: MENDONÇA, H. Lopes de (edit.). Estudos sobre navios portugueses nos séculos XV e XVI. 2. ed. Lisboa: 1971. p. 106-10. Apud BARRETO, Luís Filipe. Portugal: pioneiro do diálogo Norte-Sul. Lisboa: Imprensa Nacional/ Casa da Moeda, 1988. p. 74. |
LR |
ESTE LIURO HE DE ROTEAR .S. DE TODO PORTUGAL E DE GALIZA ATEE SORLINGA E OEXAMTE. E DAS YLHAS DE MADEYRA E DOS AÇORES E DE GUINEE E COMEÇA DE FALLAR DE COMO JAZ A BERLENGA CO) HO CABO DE FIJSTERRA. In: O MANUSCRITO “VALENTIM FERNANDES”; oferecido à Academia por Joaquim Bensaúde. Lisboa: Academia Portuguesa da História, 1940. p. 209-240. Leitura e rev. das provas por António Baião. |
NNC |
RANGEL, Manoel. Relaçao) do naufragio da não Conceyçao), de que era capitao) Francisco Nobre, a qual se perdeo nos Baixos de Pero dos Banhos aos 22. dias do mez de agosto de 1555. In: BRITO, Bernardo Gomes de. História trágico-marítima. Rio de Janeiro: Lacerda / Contraponto, 1998. p. 95-119. Introd. e notas de Alexei Bueno, apres. de Ana Miranda. |
NNSA |
LAVANHA, João Baptista. Relaçao) do naugrafio da nao S. Alberto, no Penedo das Fontes no anno de 1593. E itinerario da gente, que delle se salvou, athè chegarem a Moçambique. In: BRITO, Bernardo Gomes de. História trágico-marítima. Rio de Janeiro: Lacerda / Contraponto, 1998. p. 373-424. Introd. e notas de Alexei Bueno, apres. de Ana Miranda. |
PN/TE |
NUNES, Pero. Tratado da sphera. In: id. Obras. Nova ed., rev. e anot. por uma comissão de sócios da Academia das Ciências. Lisboa: Imprensa Nacional/ Academia das Ciências de Lisboa, 1940. v. 1, p. 1-355. |
PVC |
CORTESÃO, Jaime (edit.) A Carta de Pero Vaz de Caminha. Lisboa: Imprensa Nacional/ Casa da Moeda, 1994. |
RAP |
PIGAFETTA, Antonio. Relazione del primo viaggio intorno al mondo. In: RELAZIONE DEL PRIMO VIAGGIO INTORNO AL MONDO DI ANTONIO PIGAFETTA, SEGUITA DEL ROTEIRO D’UN PILOTA GENOVESE. Milano: Alpes, 1928. P. 5-274. A cura di Camilo Manfroni, com prefazione, note, bibliografia, carta e illustrazioni. |
RCB |
ROTEIRO DE TODOS OS SINAIS, CONHECIMENTOS, FUNDOS, BAIXCOS, ALTURAS E DERROTAS QUE HÁ NA COSTA DO BRASIL, DESD’O CABO DE SANTO AGOSTINHO ATÉ O ESTREITO DE FERNÃO DE MAGALHÃES. Boletim Internacional de Bibliografia Luso-Brasileira, Lisboa, v. 6, n. 2, p. 312-77, abr.-jun. 1965. Ed. fac-similar do mss. 51-IV-38, da Biblioteca da Ajuda. |
RMR |
CASTRO, João de. Roteiro do Mar Roxo. In: CORTESÃO, Armando, ALBUQUERQUE, Luís de (edit.). Obras completas de D. João de Castro. Coimbra: Academia Internacional da Cultura Portuguesa, 1971. v. 2, p. 171-399. Edição crítica por Armando Cortesão e Luís de Albuquerque. |
SFA |
THEVET, André. Les Singularitez de la France Antarctique. Nouv. ed. avec notes et comment. par Paul Gaffarel. Paris: Maisonneuve, 1878. |
TCC |
TRACTADO EM QUE SE CÕTAM MUITO POR ESTE)SO AS COUSAS DA CHINA CÕ SUAS PARTICULARIDADES, ASSI DO REINO D’ORMUZ. CÕPOSTO POR EL R. PADRE FREI GASPAR DA CRUZ DA ORDE) DE SAM DOMINGOS; dirigido ao muito poderoso Rei Dom Sebastiam nosso Señor. [Évora] 1569. In: ENFORMAÇÃO DAS COUSAS DA CHINA; textos do século XVI. Lisboa: Imprensa Nacional/ Casa da Moeda, 1989. p. 147-254. Introd. e leit. de Raffaella d’Intino. |
VR |
ROTEIRO DA INDIA COM AS DIFERENÇAS DA AGULHA. In: ROTEIRO DA CARREIRA DA YNDIA, DOS RUMOS A QUE SE ADE GUOVERNAR EM TODA ELLA E DOS SINAIS QUE EM TODA ESTA VIAGEM SE ACHAM E EM QUE PARAGEM SÃO PARTICULARES COM AS DIFERENÇAS DAGULHA FEITO POR VICENTE ROIZ, PILOTO DELLA. In: ROTEIROS DA INDIA DE VICENTE RODRIGUES E GASPAR MANUEL. In: PEREIRA, G. (edit.) . Roteiros portuguezes da viagem de Lisboa á India nos seculos XVI e XVII. Lisboa: Imprensa Nacional, 1898. p. 15-27. |
[1] Incluir-se-ão textos em português, espanhol, francês e italiano.
[2] Tomada num sentido bastante amplo, como assinala Joaquim Barradas de Carvalho no seu artigo Literatura de viagens (cf. Joaquim Barradas de CARVALHO. Literatura de viagens. In: Joel SERRÃO (dir.). Dicionário de história de Portugal. Porto: Iniciativas, 1979. v.6, p. 283, col. a.
[3] Cf. Joaquim Barradas de CARVALHO. L’Historiographie portugaise contemporaine et la littérature de voyages à l’epoque des grandes découvertes. Ibérida, Rio de Janeiro, v. 4, p. 101–40, dez. 1960.
[4] Cf. id., Literatura de viagens, p. 284, col. a.
[5] Trata–se da sua tese defendida na Université de Paris IV, Sorbonne, posteriormente publicada pela Fundação Calouste Gulbenkian: cf. Joaquim Barradas de CARVALHO (edit.). Esmeraldo de situ orbis de Duarte Pacheco Pereira; édition critique et commentée. Lisboa: Calouste Gulbenkian, 1991.
[6] Cf. João Rocha PINTO. Literatura de viagens. In: Luís de ALBUQUERQUE (dir.). Dicionário de história dos descobrimentos portugueses. Lisboa: Caminho, 1994. v.2, p. 609, col. a.
[7] Cf. id., ibid., v.2, p.606–13.
[8] Cf. id., ibid., v.2, p. 609 col. b – 610 col. a.
[9] A saber: “os relatórios de missões, os testemunhos os mais diversos e o género epistolar” (cf. id., ibid. p. 609 col. b).
[10] João Pinto Rocha adverte, entretanto: “Porém, para além das crónicas, dos roteiros, dos guias náuticos, dos livros de marinharia, dos livros de armação, dos diários de bordo ou diários de navegação, das colecções de viagens e dos relatos de naufrágios, tudo o mais é bastante fluido, pelo que ainda muito trabalho está por fazer relacionado e em função desta classificação elementar, na medida em que ainda se encontra por decidir definitivamente se algumas destas espécies e outras não referidas se integram, de facto, neste esquema e estarão correctamente arrumadas no local que ora se lhes atribuiu. Todo o restante material, refractário a arrumações cómodas e a rotulagens atribuíveis à primeira vista, tem encontrado poucos cultores. As dificuldades que oferece advêm, sobretudo, do carácter compósito de quase todo esse material. A sua insofismável feição plural, a sua estrutura multímoda, torna–o difícil de cingir e dificulta em extremo a sua arrumação e etiquetagem.” (cf. id., ibid., p. 610, col. a – b).
[11] Cf. Denis CREYSSELS. Eléments de syntaxe générale. Paris: PUF, 1995. p. 122.
[12] Cf. Émile BENVENISTE. Structure des relations de personne dans le verbe. In: id. Problèmes de linguistique générale. Paris: Gallimard, 1966. p. 230; Isabel Hub FARIA et al. (org.). Introdução à lingüística geral e portuguesa. Lisboa: Caminho, 1996. p. 442.
[13] Cf. Denis GREYSSELS, loco cit.; Dominique MAINGUENEAU. Elementos de lingüística para o texto literário. Trad. de Maria Augusta de Matos, rev. de Marina Appenzeller. São Paulo: Martins Fontes, 1996. p. 11.
[14] Cf. id. As Categorias de modo, tempo e aspecto em textos românicos do seéculo XVI. Salvador: UFBA/PGLetras, 1982. 190 f. Dissertação de Mestrado, orient. por Nilton Vasco da Gama.
[15] Cf. Denis CREYSSELS, op. cit., p. 122.
[16] O alocutor pode ser Vossa Alteza, como na Carta de Pero Vaz de Caminha.
[17] Cf. a propósito do discurso nas cartas-relação: Célia Marques TELLES. Dêixis pessoal e dêixis temporal na carta de Pero Vaz de Caminha. Comunicação apresentada no ...., Maceió, 2000. No prelo.